Acho que se há alguma função nesse blog é escrever o que ninguém escreve. Ainda poderia ser, em última análise, escrever diferente do que todo mundo escreve. Em nossa profissão existem quilos de tudo: livros, jurisprudências e o peso como medida nada mais é a melhor maneira de estimar a quantidade inimaginável de informação jurídica produzida a cada dia.
Disso, aliás, nem precisa falar.
Acontece quea técnica tradicional tem uma lacuna muito grande da realidade. Primeiro por quê o estudo da técnica é sempre delicado na ausência do fato concreto à medida que, também, na presença do fato a necessidade de entender os eventos sociais que o cercam muitas vezes não é possível pela teoria. Nisso entra, talvez, o problema fundamental da advocacia e da iniciação na advocacia: trato com as pessoas, forma de cobrar, limitação do ímpeto ou da depressão do cliente. Técnica jurídica, nessas horas, não adianta em nada se não for possível se ajustar com as particularidades do cliente - pode pagar, não pode, tem razão, não tem razão, merece defesa, tem defesa... Enfim...
Nas faculdades de direito existe algo parecido com a tentativa de instruir as pessoas para lidar com as pessoas. Tem a ética profissional e também a psicologia forense. Ajudam pouco, quase não servindo para nada, na verdade.
Essas lições todas podem e devem ser retiradas do cotidiano, a ponto de que um dia o profissional se sinta próxima do cliente e longe das vicissitudes do ser humano que é parte da lide. Sem essa diferenciação o caminho é a loucura.
Uma das coisas que me chamou atenção esses dias e eu gostaria de recomendar a quem tiver o interesse de se aprofundar um pouco nisso que trato é um filme realmente fora de série chamado "Três homens e um conflito". A obra do ano de 1966 mostra três criminosos com índoles bastante opostos. "O Bom, o mal e o feio". Esses arquétipos, se é que se pode falar assim, são o nome original do filme dirigido por Sergio Leone.
No filme que adota como modelo o western americano, pode se notar que em maior ou em menor proporção não e existe uma linha de valor depois de transpassada a barreira da legalidade. E isso custa muito, muito para entender na vida real. Seja qual for a forma que o crime se apresenta, seus protagonistas, isso na vida real, vão deixar muito lixo para a sociedade cuidar. E nesse ponto o filme é uma viagem pelas intenções que movem de alguma maneira o mundo do crime, incluindo vaidade, maldade e sadismo. Tudo isso voltado para o resultado útil que supostamente deixa para os envolvidos: dinheiro.
Vale muito a pena ver e refletir sobre a obra. É uma viagem na experiência humana. Ressalto que os personagens são bem caracterizados e pelo fato de ter quase 50 anos de idade muitas cenas são incômodas, mas posso dizer que não são nenhum pouco ultrapassadas.
Sugiro, com fervor, com o especial proveito de tentar entender que não há uma exceção que seja capaz de mudar a linha do caráter.
Nenhum comentário:
Postar um comentário