quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Sozinho, Euclides olhou a Beleza nua



Sozinho, Euclides olhou a Beleza nua
Todos que retratam a Beleza nua conservem sua paz!
Recostem-se sobre a terra e possam descansar
Ponderando apenas sobre si, enquanto veem

Desenhado delicadamente em lugar nenhum o vazio
Da linhagemdas formas. Esqueçam os gansos
Grasnando. Os heróis querem a libertação
Da turva escravidão para o dia claro!

Que hora ofuscante, Ó Graça, dia terrível!
A reta brilha em sua visão
De luz anatomizada. Sozinho, Euclides
Olhou a Beleza nua. Felizes eles

Que somente uma vez e depois mais longe
Tenha ouvido sua sandália sobre as pedras.


Euclid alone has looked on Beauty bare.
Let all who prate of Beauty hold their peace,
And lay them prone upon the earth and cease
To ponder on themselves, the while they stare
At nothing, intricately drawn nowhere
In shapes of shifting lineage; let geese
Gabble and hiss, but heroes seek release
From dusty bondage into luminous air.
O blinding hour, O holy, terrible day,
When first the shaft into his vision shone
Of light anatomized! Euclid alone
Has looked on Beauty bare. Fortunate they
Who, though once only and then but far away,
Have heard her massive sandal set on stone.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Assim eu entendo: As três metamorfoses de Nietzche


A passagem das 'Três Metamorfoses" Nietzche faz seu velho Zaratustra falar sobre as mudanças de espírito e o caminho que se percorre até chegar ao último estágio. Em sua passagem, seu discurso, atribui ao espírito primeiro a condição de camelo, depois leão e ao final a criança. É um texto delicado, que parece não ser possível entender na primeira leitura. Aliás, a primeira leitura é a mais interessante de todas e acaba passando a impressão de que tais metamorfoses são fases comparáveis ao do ser humano. Primeiro como adolescente é o camelo, capaz de desejar o peso para si. Depois o adulto que luta contra os ideais próprios e coletivos para chegar a liberação que, também parece, ser a velhice, na qual o ser humano consegue chegar ao estágio de criança, capaz de esquecer e estar pronta para o reinício. 

Esta primeira visão me conduziu até o momento em que as metamorfoses são rompidas, quando seus elementos em si acabam por não mais conduzir a lugar algum e necessita renascer a próxima. Nesse momento fica claro que o camelo não é nobre, é bestial; que o leão é violento e rasga a ideia do dever a custa de seu amor e a criança é apenas o espírito desejando a própria vontade, que perdeu no início do processo e agora busca de volta, em princípio, inutilmente.

Certamente não são fases. O discurso parece ser mais profundo do que isso pela inteligência descomunal do filósofo. Se lhe tocasse falar em fases da vida, avanço da idade e consequencias de atos e desamores, saberia fazer de forma muito mais perfeita do que essa ordem de eventos compreendida entre o camelo e a criança. 

Temos por hábito mental, pela filosofia cartesiana, pela matemática ou por qualquer outra contribuição da ciência ou da história entender os fatos sob a régua do tempo. Pensamos que para que haja o número dois, necessita o um e somente haverá o três se antes contarem um e dois. Pensamos que passado está para trás. Futuro para frente. O elemento de maior equívoco, talvez, seja esse. O rigor ao se aferrar a linearidade nos conduz a capacidade de enfrentar o cotidiano de forma previsível ou, em última análise, possibilita a previsão de eventos para na construção de um futuro. 

A matemática assim construiu suas bases e lançou por séculos contribuições inestimáveis em todas as ciências. Modernamente, todavia, as relações de causa em efeito, a linearidade, a previsibilidade deixaram de ser resposta para muitas das questões humanas. No próprio campo da física, respostas  não foram possíveis no campo das micro e das macro distâncias. O homem ainda se debate sem conhecer as grandes energias, as grandes distâncias, a composição das partículas ínfimas não por que lhe falta capacidade, mas talvez pela falta de ferramentas que significam dizer falta de conhecimento. 

Quebrar a barreira da lógica é fundamental para perceber conceitos fugidios, pequenos mais de grande influência no desejo de chegar a explicação plena do evento. As réguas do tempo, necessariamente, precisam ser quebradas por que já não conseguem medir todos os eventos. é preciso deixá-las de lado para entender a magnitude do evento e não, como no Leito de Procusto, tentar espremer a realidade, serrando-lhe as partes, para caber dentro de nossos conceitos.

Nitetzsche propõe três estados de espírito o bestial que representa pelo camelo, o violento na forma do leão e a criança como estágio final que, na verdade, autoriza-me a pensar na compreensão que tive, coexiste com o estágio inicial do espírito. É para onde tudo retorno, depois de tanto ter andado. 

Do ponto de vista do camelo existe uma necessidade de carga, não de paz. Seu objetivo é se carregar de modo que seja capaz de provar para si, para os outros, para os valores, para a sociedade, para a tudo que é capaz de ir adianta. Não tem medidas é bestial e talvez por tão bestial não faz sua carga com nada que lhe seja útil. É capaz apenas de carregar o que não lhe serve, o que não lhe proporcionará nenhuma riqueza de alma, nem conhecimento, nem discernimentos. Por isso se abaixa, posição do camelo, para realizar as escolhas que somente lhe causaram a dor e desconforto. 

Lotados dessas escolhas, daquela inúteis, que não servem para a melhora mas que conspiram contra ela, vamos nos enchendo até o ponto de que tudo se torna insuportável. A um determinado ponto, todas as escolhas tidas e havidas com bases no que é cobrado, na moral comum, no senso comum. Sua esposa realmente não era a mulher de sua vida, mas era necessário casar. Seu trabalho é lucrativo mas lhe cansa a alma. Suas escolhas pessoais se mostraram pesadas demais para serem mantidas ao longo do tempo. Impossível é manter o padrão de vida, impossível é manter a forma de vida. Somos camelos, nos carregamos demais, e como afirmou Zaratrustra de coisa inservíveis para a alma, mas de algum modo respeitáveis. Precisamos fugir para o deserto, a fuga ou a infelicidade. O camelo já não resolve mais nada por que todas as escolhas anteriores lhe tolheram a força. 

É hora de deixar de ser camelo, de ser leão. 

Mas o leão é tão bestial quanto o camelo, ambos são metamorfoses sem alma, aonde o espírito assume formas mas continua apanhando. Antes pela carga e agora pela violência. Não há violência sozinha, o dragão surge e é capaz de prontamente esclarecer as coisas 'tu deves'. Mas como é possível manter o padrão do camelo é hora de rasgar tudo. Porém rasgando tudo chegamos na criação da liberdade a custa, ao sacrifício dos valores. Matamos os valores que direcionaram as escolhas e agora temos a liberdade, o problema todo é que a liberdade ficou 'vazia e arbitrária' e assim ficou por que antes as escolhas que agora alimentam o dragão necessariamente dizem que em sua época houve amor irrecusável. Amávamos as escolhas que agora nos mata e matando-a criamos a liberdade sem valores, sem objetivos, vazio e arbitrária e imemorável. Aqui o espírito talvez o espírito esteja enfrentando a maior tormenta de alma que é não poder voltar aliado ao fato de não querer objetivamente voltar. Eram tempos tão sufocantes, tão pesados, sem liberdade de movimento que agora mesmo sem com o vácuo da liberdade, do 'eu' tudo se assimila a terra arrasada, morta e infértil.

Fomos leões tantas vezes.

No fim surge a criança, que é ao mesmo tempo renascimento e esquecimento, a ponto de ser a única capaz de fazer a pergunta básica, sem medo: qual o porquê de tudo isso? Eu enquanto criança andei e hoje volto ao ponto em partir para ver que poderia ter feito tudo, porém de modo diferente? É a pergunta que vai calar fundo, que não vai ter resposta, por que a viagem foi longa demais e, agora como afirma Zaratrusta 'o espírito tendo perdido o próprio mundo, quer conquistar seu mudo." 
 
Haverá tempo?


Vejo a lição do filósofo como um começo, não como obra acaba para análise de qualquer um, que imponha uma lição implícita. Somos espírito o tempo todo e dentre nós coexistem os três estágios que o filósofo apenas alinhava qual será o fim representado pela próxima metamorfose para tudo ao final voltar ao ponto da criança que apenas é capaz de esquecer e precipitar o que realmente valeeu a pena de todo o caminho. É necessário soltar o camelo para jardins verdes, não deixar carregá-lo demais para que não fuja para a solidão do deserto. É ao mesmo tempo necessário soltar o leão em estepes distintas, para ouvir seu rugido de longe, em raros momentos. É mais necessário, todavia, alimentar melhor a criança para que o espírito não se afasta dela.




quinta-feira, 11 de junho de 2015

Atemporal constatação. Goethe de novo...

Goethe, em seu Fausto, II, tradução de Jenny Klabin Segall, escrito a duzentos anos e visível ainda hoje:


"Quando vieste à luz, menina
Enfeitei-te com a toquinha;
Tão rosada eras, tão fina,
tua figura uma gracinha.
Noiva já te imaginava
Que o mais rico desposava 
Já te via mulherzinha.

Tantos anos subsequentes
Ah, passaram em vão!
Rápido dos pretendentes,
Esvoaçou-se na multidão.
A dançar com pé ligeiro,
A piscar com olhar faceiro, 
A acenar para outro parceiro,

Danças, músicas, merendas,
Tudo foi em vão tentado,
Busca-pés, jogos de prendas, 
Nada deu resultado.
Hoje vês palhaços
Abra, filha, o seio, os braços
Um, talvez, fique agarrado... "

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Privacidade e Um Péssimo Livro

Atraído pelo que poderia ser uma obra sobre o tratamento contemporâneo dado a espionagem e os serviços de inteligência fui atraído pelo Sr. Grenwald. Li o livro e cheguei a ver alguma coisa conduzida por Jorge Pontual na Globonews. Definitivamente, uma obra muito ruim, vou explicar:

Primeiro, o autor afirma que supostamente teria recebido grande quantidade de documentos do Sr. Snowdem. Pois bem, se efetivamente recebeu não soube aproveitar, a medida que se limita a discutir alguns programas básicos cuja comprovação se dá por intermédio de apresentações em powerpoint. Ou seja, em bilhões de dados, escolheu exatamente as apresentações em PPT para dizer alguma coisa, logicamente ficou na superfície do problema. Não é só por se tratar de apresentações, mas certamente se eu recebesse um pen drive contendo milhares de dados ultrassecretos a última coisa que faria era abrir as apresentações. Ia tentar desvendar o máximo possível e não me escorar na parte meramente introdutória.

Segundo, o autor recaí em uma crítica as supostas violações da privacidade perpetradas pelo governo americano e se mostra excessivamente inconclusivo sobre o tema. Arremata com o que 'acha correto'. Bem, o livro não se trata de uma obra de direito constitucional que deveria respeitar o rigor do tema. A proposta, ao menos do que entendi, era um documentário ou uma reportagem sobre Snowden e não ilações sobre o que acha certo. Na verdade, recentemente tive a oportunidade de ler duas obras que podem servir como parâmetro para que o seria o jornalismo que o livro se propõe: uma é o "Xá dos Xás" de Ryszard Kapuscinski e outra chamada o "Honra teu Pai" de Gay Talese. Esses dois não recomendo que leiam, recomendo que comprem e nunca mais larguem. São relatos que constroem em nossa mente um exato relato de um tema de tal forma que é possível interagir com os personagens históricos. Já esse do Sr. Greenwald é na verdade uma obra que começa como um documentário, passa por relatos de sensibilidade extrema de um terceiro deslocado do conteúdo da obra (David de tal) e termina como uma crítica constitucional improdutiva.

Um livro muito, muito ruim...



terça-feira, 10 de março de 2015


Veja bem..(Não) Leia Goethe:


O interesse por Goethe na literatura deve vir, muito embora não seja esta a melhor forma de se chegar a um escritor, do número de suas situações. Principalmente por Fausto, todas as obras que querem interagir ou somar com o conhecimento acabam buscando Goethe para tentar explicar algo com bastante precisão e, geralmente, em poucos palavas. É um cara fora de série não pode ser breve, mas por ter chegado a tal domínio da consciência humana que com poucas linhas é capaz de pintar uma realidade com todas as cores. Vai aqui daqui um exemplo:

“Mas o mau humor não seria antes uma irritação íntima em razão do sentimento de nossa própria insuficiência, um descontentamento em relação a nós mesmos, ao qual se junta sempre a inveja em razão de uma vaidade idiota? Quando vemos algumas pessoas felizes, sem que para isso tenhamos contribuído, essa felicidade nos é insuportável.”

Precisa toda a genialidade para se chegar a essência humana com tamanho refinamento. Ou, aliás, eu desafio se alguém consegue discordar plenamente da explicação acima. Do que li, a primeira e profunda impressão foi causada pelo livro: O Sofrimento do Jovem Werther. A edição traduzida por Marcelos Backes no sempre amável forma dos livros de bolso da L&PM (Editora) é algo é muitíssimo bem realizada, além de que não consegui notar qualquer erro que desabonasse a editora. Muito ao contrário, tenho a agradecer por disponibilizar uma obra dessas.

O livro uma caminho único da literatura mundial que foi aberto uma única vez e também será uma única vez transitado. O amor que não constrói mas que intensamente destrói a alma do personagem. O caminho do ser humano quando absorve o impossível, fá-lo em forma de lente e vê a vida por esta lente, como se fosse a única. O amor despedaçando a vida do sujeito e a falta de reação psicológica adequada do personagem; ou seria o excesso de amor escasseando a vida. Não sei. De qualquer forma é um livro que habita suavemente a mente de cada leitor e ensina. Ensina muito e (acho) que vai ensinar a cada um alguma coisa diferente. O leitor é sugado para dentro do sentimento do personagem à medida que o personagem vai respondendo, ou melhor até desacreditando, qualquer uma das saídas tradicionais que somos capazes de sugerir. 

Vale muito a pena. Do ponto de vista jurídica, que é afinal ao que se propõe esses ensaios, a obra é capaz de mostrar em cores vidas os crimes cadas vez mais frequentes de violência e ou suicídio motivo pelo amor. Especialmente o encadeamento dos eventos, como os sentimentos de angústia e depressão vão formando um bloco indevassável de realidade distorcida, acaba sendo importante para se conseguir entender a magnitude do crime, pela visão do autor ou pela inocência da vítima. Um livro para a vida. 


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Três homens e um conflito

Acho que se há alguma função nesse blog é escrever o que ninguém escreve. Ainda poderia ser, em última análise, escrever diferente do que todo mundo escreve. Em nossa profissão existem quilos de tudo: livros, jurisprudências e o peso como medida nada mais é a melhor maneira de estimar a quantidade inimaginável de informação jurídica produzida a cada dia.

Disso, aliás, nem precisa falar.

Acontece quea  técnica tradicional tem uma lacuna muito grande da realidade. Primeiro por quê o estudo da técnica é sempre delicado na ausência do fato concreto à medida que, também, na presença do fato a necessidade de entender os eventos sociais que o cercam muitas vezes não é possível pela teoria. Nisso entra, talvez, o problema fundamental da advocacia e da iniciação na advocacia: trato com as pessoas, forma de cobrar, limitação do ímpeto ou da depressão do cliente. Técnica jurídica, nessas horas, não adianta em nada se não for possível se ajustar com as particularidades do cliente - pode pagar, não pode, tem razão, não tem razão, merece defesa, tem defesa... Enfim...

Nas faculdades de direito existe algo parecido com a tentativa de instruir as pessoas para lidar com as pessoas. Tem a ética profissional e também a psicologia forense. Ajudam pouco, quase não servindo para nada, na verdade.

Essas lições todas podem e devem ser retiradas do cotidiano, a ponto de que um dia o profissional se sinta próxima do cliente e longe das vicissitudes do ser humano que é parte da lide. Sem essa diferenciação o caminho é a loucura. 

Uma das coisas que me chamou atenção esses dias e eu gostaria de recomendar a quem tiver o interesse de se aprofundar um pouco nisso que trato é um filme realmente fora de série chamado "Três homens e um conflito". A obra do ano de 1966 mostra três criminosos com índoles bastante opostos. "O Bom, o mal e o feio". Esses arquétipos, se é que se pode falar assim, são o nome original do filme dirigido por Sergio Leone.

No filme que adota como modelo o western americano, pode se notar que em maior ou em menor proporção não e existe uma linha de valor depois de transpassada a barreira da legalidade. E isso custa muito, muito para entender na vida real. Seja qual for a forma que o crime se apresenta, seus protagonistas, isso na vida real, vão deixar muito lixo para a sociedade cuidar. E nesse ponto o filme é uma viagem pelas intenções que movem de alguma maneira o mundo do crime, incluindo vaidade, maldade e sadismo. Tudo isso voltado para o resultado útil que supostamente deixa para os envolvidos: dinheiro. 

Vale muito a pena ver e refletir sobre a obra. É uma viagem na experiência humana. Ressalto que os personagens são bem caracterizados e pelo fato de ter quase 50 anos de idade muitas cenas são incômodas, mas posso dizer que não são nenhum pouco ultrapassadas. 

Sugiro, com fervor, com o especial proveito de tentar entender que não há uma exceção que seja capaz de mudar a linha do caráter.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Comprar Empresas (I)
Comprando uma Sociedade

Começar o negócio próprio pode ser por dois caminhos, principalmente. O primeiro é iniciar do zero. Isso significa constituir um novo cadastro de CNPJ, depois buscar fornecedores dos materiais de exposição, formar estoque, decoração e todas as demais características que dão forma ao negócio, que juridicamente pode ser chamado de estabelecimento comercial.

Muitas vezes, e os anúncios de jornal são provas disso, muitos empreendedores querem se desfazer de seus negócios. Os motivos são geralmente os mesmos: mudança, doença, mudança de ramo. Para o comprador, isso quer dizer necessariamente cuidado.

Primeiramente, quem assume um negócio deve pensar se irá fazê-lo absorvendo a antiga empresa ou criando outra, nova, para atuar no mesmo lugar. Se for uma mera alteração da sociedade, onde saem os antigos ‘donos’ e entram os ‘novos’, o primeiro passo é solicitar para o contador da empresa um resumo completo da empresa e das dívidas. E não deve ser um documento qualquer: o relatório das atividades, dívidas, haveres, deveres, créditos e débitos é um documento de muita importância no futuro, de modo que deve ser assinado pelo profissional da contabilidade que já atende a empresa. Após o próximo passo é uma busca cautelosa nos sites oficiais da Receita Federal, Caixa Econômica Federal e INSS para, se for o caso, obter as certidões negativas. É através destes documentos inicialmente que você terá certeza de que a empresa que está comprando e que passará para o seu nome não tem nenhuma bomba escondida.

Depois da primeira fase, e se estiver tudo muito correto nos passos acima, é necessário buscar a situação comercial da empresa: isso se faz da maneira mais simples através de uma ida a todos os tabelionatos da cidade em que a empresa tem sede e buscar chamada certidão negativa de protestos. Com esses documentos você vai notar se a empresa possui alguma restrição cadastral. Se não tiver, uma consulta ao SPC/SERASA também será importante para verificar a ocorrência de qualquer pendência menor, como companhias telefônicas, etc.

Cada documento que você extrair dessa busca deve ser cuidadosamente guardado por que demonstra claramente a realidade negocial na hora da compra. Se estiverem te enganando e surgir algo no futuro, de posse desses documentos poderá reclamar.

Ainda nesse tópico, se a empresa tiver imóveis e veículos é bom buscar no cartórios de registro as certidões de matrícula e de “ônus reais”. Com esses documentos você terá certeza de que os bens que estará adquirindo estão realmente livres. Só lembrando que se for carro a consulta deve ser feita no DETRAN.

Se qualquer dos documentos mostrar qualquer sinal mínimo de erro ou restrição volte À estaca zero e só faça o negócio quando a pendência for retirada. Sem isso é incomodo na certa.

Um(a) advogado(a) no momento da compra de uma sociedade vale muito a pena ser contratado. Procure sempre um profissional de sua confiança que vai ajudar muito nessas horas!

No processo passo, vamos partir para a regularização frente à Junta Comercial e os demais registros.


Rodrigo Ghiggi - Advogado