terça-feira, 10 de março de 2015


Veja bem..(Não) Leia Goethe:


O interesse por Goethe na literatura deve vir, muito embora não seja esta a melhor forma de se chegar a um escritor, do número de suas situações. Principalmente por Fausto, todas as obras que querem interagir ou somar com o conhecimento acabam buscando Goethe para tentar explicar algo com bastante precisão e, geralmente, em poucos palavas. É um cara fora de série não pode ser breve, mas por ter chegado a tal domínio da consciência humana que com poucas linhas é capaz de pintar uma realidade com todas as cores. Vai aqui daqui um exemplo:

“Mas o mau humor não seria antes uma irritação íntima em razão do sentimento de nossa própria insuficiência, um descontentamento em relação a nós mesmos, ao qual se junta sempre a inveja em razão de uma vaidade idiota? Quando vemos algumas pessoas felizes, sem que para isso tenhamos contribuído, essa felicidade nos é insuportável.”

Precisa toda a genialidade para se chegar a essência humana com tamanho refinamento. Ou, aliás, eu desafio se alguém consegue discordar plenamente da explicação acima. Do que li, a primeira e profunda impressão foi causada pelo livro: O Sofrimento do Jovem Werther. A edição traduzida por Marcelos Backes no sempre amável forma dos livros de bolso da L&PM (Editora) é algo é muitíssimo bem realizada, além de que não consegui notar qualquer erro que desabonasse a editora. Muito ao contrário, tenho a agradecer por disponibilizar uma obra dessas.

O livro uma caminho único da literatura mundial que foi aberto uma única vez e também será uma única vez transitado. O amor que não constrói mas que intensamente destrói a alma do personagem. O caminho do ser humano quando absorve o impossível, fá-lo em forma de lente e vê a vida por esta lente, como se fosse a única. O amor despedaçando a vida do sujeito e a falta de reação psicológica adequada do personagem; ou seria o excesso de amor escasseando a vida. Não sei. De qualquer forma é um livro que habita suavemente a mente de cada leitor e ensina. Ensina muito e (acho) que vai ensinar a cada um alguma coisa diferente. O leitor é sugado para dentro do sentimento do personagem à medida que o personagem vai respondendo, ou melhor até desacreditando, qualquer uma das saídas tradicionais que somos capazes de sugerir. 

Vale muito a pena. Do ponto de vista jurídica, que é afinal ao que se propõe esses ensaios, a obra é capaz de mostrar em cores vidas os crimes cadas vez mais frequentes de violência e ou suicídio motivo pelo amor. Especialmente o encadeamento dos eventos, como os sentimentos de angústia e depressão vão formando um bloco indevassável de realidade distorcida, acaba sendo importante para se conseguir entender a magnitude do crime, pela visão do autor ou pela inocência da vítima. Um livro para a vida. 


Nenhum comentário:

Postar um comentário